top of page

A Família

1 de jan. de 2014
4 min de leitura

Bem, falei de tantas coisas boas, de tantas qualidades, vou escrever agora, com muito custo e tristeza, sobre o outro lado da história, pois, todas as situações têm dois lados.

Não existe a luz do sol sem a escuridão da noite, a alegria, sem os momentos de tristezas, e a gente começa a entender aí a natureza dual das coisas terrenas. Tudo, na natureza é dual e, nossas relações, também.

A alegria da vida, a luta pela sobrevivência, versus o medo da morte e vai por aí afora.

E como tudo tem seus dois lados, nossa educação teve lances de muita luz e, algumas vezes, um lado escuro, pois meu pai era inteligente, mas vivia fora de seu tempo, muito adiante ... vivia para a leitura.

Por ter lido os épicos, as grandes guerras que se travaram na história, os grandes pensadores, os conquistadores, tudo isso, mexeu muito com sua cabeça, e era então muito culto, porém muito exagerado.

Costumava dizer brincando que, em casa pela manhã, minha mãe não usava açúcar ou mel, no nosso leite, mas sim “fertilizante cerebral “porque tudo era um exagero”“.

Para nós nunca era uma dor. Era uma DOOOOR.

Tudo era exagero. A gente fantasiava a vida, pelas histórias incríveis que ele nos contava e nos envolvia com batalhas, heróis, que iam além da condição humana, além da imaginação estrelas, galáxias, naves espaciais, condados, reinados navegadores, césares, gregos, romanos, pensadores, iluminados, filósofos, odes, canções réquiens, maratonas, travessias à nado, Ulisses, Sócrates, Platão, Chopin, Beethoven e tudo que se tem noticia da evolução do homem na terra.

Era o lado bom, conhecíamos tudo, mas o ruim é que misturávamos com a realidade do pequeno mundo onde vivíamos de escola pequena do interior, dos horizontes estreitos, pequenos, de nossos vizinhos, colegas, e, portanto, o relacionamento, tornava-se difícil.

Até com nós mesmos.

Tudo isso fazia parte de nosso dia a dia e o encantamento de tantas histórias, se mesclava a uma vida de interior, difícil algumas vezes para minha mãe, que tomava conta das necessidades da casa, pois meu pai vivia nesse mundo da leitura, dos ciclos da evolução humana e toda essa sensibilidade, que o afastava do mundo real, concreto.

Existia também seu lado extremamente irritável. De repente ele mudava seu humor e era então uma coisa difícil. Então fomos criadas como num campo de guerra.

Eu particularmente costumo associar esse universo doméstico, a uma corporação de bombeiros. Éramos ótimas, para um grande Pânico, como para apagar um incêndio, mas tínhamos dificuldades para uma vida tranquila, calma. A calma não fazia parte de nossas vidas. Com tantas ideias, com tantos exageros, era difícil viver na tranquilidade.

E isso passou infelizmente para nossos filhos. O exagero, a ansiedade, a dificuldade de nos relacionarmos com a tranquilidade, à aceitação etc. etc.

Portanto vocês da nova geração, é preciso entender, como suas mães foram criadas, para poder entender um pouco essa infância tumultuada que tiveram.

Se de um lado, isso não foi bom, por outro lado, toda essa cultura, todo esse conhecimento da história universal, nos fizeram um pouco mais cultos do que a média brasileira, uma sensibilidade mais exacerbada e temos todos que trabalhar com essa realidade.

Controlar, a ansiedade, apagar o fogo interno, lidar com nossos medos, e lembrar que viemos de uma genética de antepassados, que lutaram demais, pois temos um avô que veio de Consenza, cidade situada no início do vale médio do rio Crati, no ponto onde ele acolhe as águas do seu afluente Busento, na província de Calábria, que compreende a extremidade meridional da península italiana entre os mares Tirreno e Jônio.

A história de Consenza se perde na noite dos tempos. Há vestígios de um primeiro assentamento de um povo nômade, em 900 antes da era cristã. A estes, por volta de 600 anos A.C., sucederam os Bretos e os Brúcios, povo belicoso, que sempre demonstrou sua índole guerreira.

Desde 270 A.C. Consenza, foi subjugada pelos romanos e, tão pesada era a pressão do jugo romano, que os consentinos foram compelidos a aliar-se a Aníbal, sob cujo comando combateram na 2a. guerra púnica.

Consenza é circunscrita por sete colinas; Pancrazio, Vetere, Guarassano, Triglio, Mussano, Venneri, Gramazio e é banhada por dois rios o Crati e o Busento. Desde essa época, há uma sequência de eventos históricos e dramáticos, Terremotos e incontáveis invasores. Sempre tiveram que se manter alerta diante de tantas e tantas invasões.

Vem daí sua capacidade de tamanha belicosidade. O santo padroeiro da cidade é São Francisco de Paula, santo taumaturgo muito venerado pelos consentinos e por todos os calabreses.

Operou muitos milagres e é tido como o santo padroeiro dos marinheiros porque realizou o milagre de atravessar o estreito de Messina sobre seu manto religioso.

Consenza é berço de filósofos, literatos, artistas, cientistas na verdade, um oásis de cultura onde nasceu a Academia, fundada por Aulo Parrasio, cujos maiores frutos foram as ideias revolucionárias sobre a ciência de Telesio e as hipóteses revolucionárias sobre a ciência de Telesio.

Consenza as ostenta com orgulho e adoram ir ao teatro.

Bem, portanto, com todas estas histórias de nossos ancestrais, por parte de nosso avô Edgar, como nossas mães poderiam não ser belicosas, dramáticas, etc. etc.?

Portanto, agora é cada um, com toda essa cultura que recebeu, lutar cada um por si, pela tranquilidade interior, entender o próprio espírito e lutar pela tranquilidade e paz.

É se conhecendo, é se analisando e refletindo etc. etc.


 
 
 

Comentários


© site Acontecimentos Mentais - criado por Aloysio Xavier - 2016

bottom of page